PCMG conclui investigação de desvio de recursos públicos em Araxá

15-09-2021

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito policial que apurou uma organização criminosa, chefiada por um ex-vereador, suspeita de desviar recursos públicos que haviam sido repassados pela Prefeitura de Araxá para uma entidade do terceiro setor Entre maio de 2014 e fevereiro de 2015, a entidade recebeu R$ 559 mil dos cofres públicos. Onze pessoas foram indiciadas, entre outros crimes, por peculato, apropriação indébita qualificada, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A segunda fase da operação Houdini, destinada à apuração de desvio de recursos públicos que foram repassados a entidades do terceiro setor entre os anos de 2014 e 2015. Suspeita-se que além de recursos públicos tenha ocorrido possível desvio e apropriação de valores da própria Associação dos Aposentados e Pensionistas de Araxá (AAPA).

Os policiais estiveram em cinco imóveis. Três deles de pessoas ligadas a uma das empresas que teriam prestado serviços à AAPA. Os pagamentos a esta empresa foram feitos com recursos públicos transferidos do município para a entidade. Foram encontrados indícios de superfaturamento e não-execução dos itens constantes nas notas fiscais. Também foram cumpridas buscas no escritório de uma prestadora de serviços da empresa e na casa de uma ex-funcionária da AAPA.

Foram apreendidos dez aparelhos celulares, dois notebooks, dois computadores, quatro tablets, um HD externo, um GPS, três pen drives e dois cartões de memória, além de documentos e livros fiscais, que serão inspecionados para obtenção de provas.

A PCMG também solicitou o bloqueio de bens e valores no total de R$ 10 milhões. Além da responsabilidade penal e a obrigação de ressarcir ao erário, os investigados e as empresas investigadas poderão responder por improbidade administrativa e pela Lei Anticorrupção.

ESQUEMA CRIMINOSO

De acordo com a investigação, o líder da organização criminosa desviou os recursos por meio de empresas. Parte do valor pago na aquisição de bens e na execução de serviços foram entregues pelos empresários ao chefe do grupo.

Segundo apurado, entre as condutas criminosas, verificou-se que uma empresa que atuava no segmento da construção civil foi contratada para realizar intervenções na sede da entidade. O que ficou constatado foi a realização de parte dos serviços – e ainda assim superfaturados, a ideia era criar uma cortina de fumaça com a realização de intervenções pontuais para tentar encobrir os desvios.

Além disso, as investigações apontaram que pessoas ligadas ao líder da associação criminosa, em conluio com ele, se apropriaram de recursos que a entidade obtinha a partir da realização de bailes aos sábados e de mensalidades pagas pelos associados.

Empresários indiciados

Entre os indiciados, estão quatro empresários de Araxá, que descontavam cheques para o líder do grupo, possibilitando a lavagem do dinheiro desviado. Os cheques foram emitidos das contas abertas para gerir os recursos públicos. Apesar de terem sido entregues à empresa prestadora de serviço, acabaram sendo descontados e o dinheiro entregue ao líder da organização criminosa.

Ainda de acordo com a investigação, foi apurado que o líder da associação criminosa adquiriu um veículo novo em uma concessionária da cidade, pagando à vista, em dinheiro.

 

Por ASCOM-PCMG  15/09/2021  

Divulgação/PCMG